quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Futuros médicos de São Paulo são reprovados em teste do CRM

Para avaliar a formação dos médicos, o Conselho Regional faz um exame. Os resultados são assustadores.




Uma dor, uma doença, um susto na família - são parte do dia a dia. Nada mais natural do que procurar um médico. Todo mundo precisa. As autoridades até estimulam a ida ao especialista. O médico representa segurança, eficácia ou pelo menos deveria.



Há faculdades demais, sem qualificação para colocar no mercado profissionais que vão lidar com a vida humana. Para avaliar a formação dos médicos, todo ano o Conselho rRgional faz um exame. A participação é voluntária. Os resultados, todos os anos, são assustadores.



Não é o que está acontecendo no Brasil. Quando se verifica de perto, os médicos formados estão mal preparados para fazer um diagnóstico.


Uma criança chega a um pronto-socorro com sintomas que podem ser de meningite. Que exame o médico deve fazer para ter certeza? 64% dos alunos que fizeram a prova do Conselho Regional de Medicina de São Paulo não souberam responder a esta pergunta.


O teste é aplicado desde 2005 e não é obrigatório. Desta vez, apenas 24% dos estudantes que se formam este ano no estado se apresentaram voluntariamente para a avaliação. O resultado foi ruim. Nos últimos três anos, mais da metade dos futuros médicos foi reprovada.


O Conselho Regional de Medicina considera o teste fácil e diz que o resultado pode ser pior ainda do que parece. Como o exame é voluntário, os coordenadores acreditam que apenas os candidatos que se consideravam mais bem preparados apareceram para fazer a prova.


“O indivíduo só pode adquirir o direito de exercer a prática médica se ele for aprovado em um exame feito por um organismo fora da sua faculdade de medicina", propõe o conselheiro do CRM Bráulio Luna Filho.


O residente de pediatria Marcelo Cascatera, que foi aprovado no exame, acha que estudantes podem ser prejudicados se a proposta virar lei: "Eu acho uma injustiça permitir que uma pessoa estude durante seis anos para só depois da sua formação perceber que a sua faculdade não formou direito."


A Associação Médica Brasileira propõe um exame - obrigatório - e aplicado pelo menos três vezes ao longo do curso. Defende uma avaliação mais rigorosa das escolas de medicina.


“Sabemos que a situação é de risco e não há nada que nos leve a pensar que no ano que vem os resultados serão diferentes. Eles passarão a ser diferentes no momento em que nos tivermos uma legislação mais severa para qualificar as faculdades de medicina”, aponta o presidente da Associação Médica Brasileira José Luiz Gomes do Amaral.


Hoje, em São Paulo, há 25 escolas de medicina que foram cerca de 2,6 mil alunos por ano: 25% deles participaram voluntariamente do exame. O índice de reprovação foi de 56%.





Fonte: Jornal Floripa e globo.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário